terça-feira, 26 de agosto de 2014

Voz

O que é uma manifestação?
O que é uma inspiração?
O que é uma voz?
Se eu disser algo, aqui e agora,
quais são as chances de alguém me escutar?
Quais são as chances da minha voz ecoar,
formar um legado?
Quais são as chances de eu mudar o mundo?

Passo meus dias em culpa, 
olhando para mim com pesar. 
Quem sou eu, onde estou, onde quero estar?
Eu dizia que transformaria, 
que irradiaria, 
que transcenderia. 
Mas quem é que se esconde quando seu nome não está na lista?
Eu inovo? O quê?
Ou só me escondo atrás das cortinas?

É um grande espetáculo.
É um grande palco.
Quais são as chances dos personagens envolvidos nisso me compreenderem?
Quais são as chances de eu dizer algo, sem me enquadrarem? Sem me olharem de um ângulo repetitivo, padronizado, igual?

Eu tenho algo a dizer. 
Eu tenho algo a expressar.
Eu tenho algo a dar ao mundo.
Disso, sempre soube.
Mas bloqueio, bloqueio, bloqueio.
O abismo do fracasso me parece imenso.
Medo. Medo do quê? Do que tenho medo?
De olharem para mim, de rirem de mim, de me apontarem?

Ser invisível e visível. Presente e ausente.
Ou estou no medo ou estou no amor.
Ou estou no medo ou estou na Vida, na verdade presencial.
Medo, uma história antiga. Uma corrente imaginária.
Que nunca me aprisionou, mas eu piamente acreditei que sim.
É uma escolha, agora.

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Disse para mim mesma que, nesse período de minha vida, estaria num bloqueio de escrita,
por estar numa fase sem estar nem ali, nem aqui. No meio de campo.
Mas o que isso tem a ver com expressão?
Se me expresso, me expresso a todo segundo, a todo momento.
Reprimo minhas próprias maneiras de me expressar.
Recuso olhar a verdadeiras transformações que acontecem comigo diariamente.
Recuso me entregar, me disponibilizar, me doar.
Se quero ser livre,
como realmente poderia,
se não me dou nem ao direito de por para fora o que está dentro?
Sem me julgar, sem intelectualizar.
Quantas vezes não recuei, não explorei mais, não me aprofundei dentro de algo,
só porque não queria que isso fosse exposto, que isso fosse dito.
Há real ganho em me esconder assim?
 Qual o ganho que isso tem para mim?
Para os outros?
Para a vida?
É uma diversidade, não há como me catalogar.
Que eu seja livre para me manifestar.
Que eu seja livre para manifestar a vida,
estando onde quer que for o lugar que eu deveria estar,
fazendo o que quer que for.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Terceira lei de Newton na corrupção


Faz tempo que não venho a publicar nada no blog. Talvez porque minha mente esteja numa fase de absorção de muito conhecimento; há muitas ideologias, novos pensamentos e ideias passando por ela. Acredito que, de qualquer modo, sempre há; mas, nesse ano, o negócio realmente está pegando fogo. 


Em trabalhos em grupo, sempre me deparo com um problema relacionado ao meu ego, intelecto e afins. Eu detesto partilhar de opiniões que não são similares às minhas. Considere como egoísmo, como egocentrismo, tanto faz. Quando faço um trabalho, sempre espero que o produto final saia 100% o que eu quis transmitir, mas, quando o trabalho é coletivo, o resultado nunca é totalmente você, já que é feito a partir de inúmeras ideias.


Indo direto ao assunto, o que eu quero mostrar à vocês é um trabalho meu que, tecnicamente, era um trabalho coletivo, mas acabei me antecipando e fazendo alguns textos sozinha.

No trabalho, os treze atos de irregularidades do cidadão brasileiro e do político eram apresentados, e nós devíamos dizer se praticávamos tais atos, se conhecíamos alguém que os praticava (nesse caso, se sabemos de políticos que praticam) e se achamos, de forma geral, se os brasileiros praticam tais atos, e, depois disso, o professor pedia algumas reflexões.

Realize uma reflexão, seguindo o roteiro abaixo.



a) Análise das proposições e sugestão de outras proposições do dia-a-dia que também estejam relacionadas a condutas não-éticas.
b) Comparação entre o número de respostas afirmativas das três colunas. Procure explicar esses resultados. Que situação obteve mais pontos afirmativos? Por quê?
c) Com base nesses fatos e nessas hipóteses, crie conclusões. Existe coerência entre esses fatos ou eles são contraditórios? Se são contraditórios, que hipóteses podemos levantar para compreendê-los?

Nós, tecnicamente, devemos seguir crenças de deputados impostas sobre a sociedade. Cada ser humano atribui significados diversos ao mundo a partir de sua linhagem de pensamentos, e isso não se difere quando estamos falando de deputados; aqueles que fazem as leis. Todo o ser humano vive a partir de um conjunto de crenças que se estabilizou em sua mente a partir de tudo que já foi lhe proporcionado. Não atingimos um grau coerente de comunicação, pois ninguém escuta realmente o que o outro tem a dizer; todos apenas escutam a partir do que selecionam, escolhem ouvir, ou seja, a partir de suas próprias crenças. Então vivemos num mundo onde seguimos as leis do certo e do errado impostas por alguém. Mas, o que é, de fato, o certo e o errado? São conceitos que nascem a partir de arquétipos de uma determinada sociedade, cultura. Quando me deparo com diversos “SIM” dados à prática de tais irregularidades, me deparo com um povo que ou tenta se rebelar ao que é imposto como “certo”, por não acreditar nisso e sentir necessidade de ir contra, ou com um povo que simplesmente pensa o oposto disso, que não acha que é isso realmente o necessário para nossa vivência na comunidade, na humanidade.
As situações que obtiveram mais “SIM”s foram as da compra de produtos piratas e as de instalação de “gato”s na TV a cabo. Essas obtiveram mais “SIM”, pois, no meu estilo de vida (classe média, ensino de qualidade, moradia adequada, lazer acessível), são essas questões mais presentes, assim como a obtenção de documentos falsos. A partir de tudo isso, posso dizer que existe, ao mesmo tempo, uma insatisfação do povo com o governo e uma folga dos cidadãos em relação à melhoria desse mesmo governo. Digo, na utopia, queremos que não exista mais roubo no governo, que não exista mais nenhuma sacanagem ocorrendo por lá. Mas como isso acontecerá, se nós continuamos agindo dessa mesma maneira corrupta com nossas próprias vidas? Para vivermos sem lixo, precisamos arrancar esse lixo da mente da população de todos, não só da quem está no idealizado “poder”. É uma construção e melhoria a ser feita com, sem exceção, todos. Acabamos culpando apenas o governo pela corrupção. Mas e se nós formos corruptos também, como a situação fica?
Para conseguirmos melhorias, precisamos criar um consenso comum, no qual exista compromisso do povo com o governo e vice-versa. Sem um, não há o outro. Mas esse consenso precisa ser justo, precisa atender a todas as vozes. Muitas vezes a revolta do povo se dá pela falta de justiça que ocorre dentro do governo, e, vendo dessa forma, a revolta é coerente. Necessitamos de mudanças. Necessitamos de comunicação; que os outros escutem ao que eu realmente quero dizer, e não ao que eles pensam que estou dizendo.



a)     Analise as proposições da pesquisa sobre os atos de corrupção política. Você sabe a que cada um deles se refere? Já leu nos jornais ou viu nos noticiários algo sobre esses atos? Consegue relacioná-los com acontecimentos concretos?
b)     Compare o número de respostas afirmativas entre as três colunas. Você esperava esses resultados? Por quê?
c)     Faça uma comparação entre os resultados das três colunas. Que consequências se podem extrair desses fatos? Existe relação entre eles?

    Sendo sincera, eu não sei ao que cada um desses atos se refere. Fiz uma pesquisa superficial para poder responder “SIM” ou “NÃO” somente. Não costumo me antenar muito a notícias do mundo, pois não dou tal importância a tais notícias. Confesso que me importo, e assim, supro essa minha necessidade de me informar ao conversar com meus pais e outras pessoas de confiança que podem me proporcionar uma conversa coerente sobre o que anda acontecendo no mundo. Consigo relacionar esses atos de corrupção à acontecimentos concretos muito superficialmente, só me lembrando de algumas palavras-chave, partidos, etc.
Eu esperava todos os resultados. Esperava todos os resultados, pois é isso a que estamos submetidos. Desde pequena, sempre escuto como o país é corrupto, como existe roubalheira de quem está no comando e de como isso é sério. Com o tempo, tudo isso só foi se confirmando para mim. A sociedade, em todas suas formas, é corrupta, pois está em total fora de sintonia, harmonia, e, sendo assim, é apenas isso que consigo esperar. Para mudarmos tudo isso, precisamos de correções na mente coletiva.
Como eu disse anteriormente, a corrupção não está só na cabeça de quem está no governo. A cabeça está na cabeça de todos da sociedade, não importa a camada social. Para ocorrer mudanças efetivas no país, é necessário uma mudança e correção na mente de todos nós. Se estamos com merda na cabeça (desculpe o vocabulário chulo), as únicas pessoas que aparecerão para nos representar virão com merda na cabeça também. É basicamente como a terceira lei de Newton, de ação e reação. Se você emite corrupção no seu dia-a-dia, você receberá corrupção.

“Nossos problemas éticos estão concentrados nas elites ou são condutas presentes em todas as camadas da sociedade?”.

Nossos problemas éticos, de fato, estão distribuídos por todas as camadas da sociedade na qual estamos submetidos a viver. Recebemos o que emitimos, como na terceira lei de Newton de ação e reação. Se pensamos apenas no lixo e nos portamos como tal, as pessoas que são escolhidas para nos representar não passam de ser uma confirmação da nossa própria crença. Pois, afinal, vivemos a partir da crença de deputados, como dito anteriormente. Não há comunicação no mundo, todos escutam apenas o que querem a partir do seu conjunto de crenças e significados atribuídos a determinadas situações, sendo assim, nunca chegando a nenhum consenso, a nenhuma conclusão. Só vivemos no caos e na confusão enquanto não nos entendermos, não vivermos em sintonia e harmonia. Para você mudar um governo corrupto, você precisa, do mesmo modo, mudar suas atitudes corruptas também. É necessário muita maturidade e inteligência emocional inclusive para que você consiga chegar a esse ponto. Não é um problema que vem só de um lado, é um problema refletido no povo e no governo. Para vivermos em paz, finalmente, todas as vozes precisam ser escutadas e analisadas, a justiça precisa ser almejada. Mas como buscar pela justiça, se cada um dá um sentido diferente para esse mesmo termo? Vivemos numa sociedade na qual cada um cria seu consenso, a partir de sua história, a partir de todos seus arquétipos presentes em seu inconsciente, do “certo” e do “errado”. E o certo e o errado, são termos que realmente podem ser definidos? O certo e o errado dependem de uma determinada cultura, dependem de determinado conjunto de valores presentes na mente de tais pessoas. Como, conseguiremos, então, alterar, reverter, tudo isso? Nos comunicando. Nos comunicando de verdade, sem dar atenção ao nosso ego e intelecto quando estamos escutando ao outro, sem imaginar cenas a partir daquela cena real acontecendo diante de seus olhos. Pode parecer utopia, mas é o único modo. A presença de uma tirania, oligarquia, monarquia ou qualquer outra forma de “controlar” só nos afastarão desse objetivo comum: o fim da corrupção. Mas aí, me pergunto, novamente, queremos realmente o fim da corrupção? Ou só culpamos o governo por algo que também está, de fato, presente em nossas atitudes? Qual é o ganho de agirmos de acordo do que é corrupto? O ganho é uma sensação interna que você acredita que será preenchida de acordo com a realização de tal ato irregular, mas isso não passa de ilusão; você só estará se colocando contra a verdade, contra a mudança, contra a todos os outros. Para mudarmos, precisamos estar juntos. Precisamos escutar e, principalmente, entender.







segunda-feira, 11 de março de 2013

Tudo bem em ter preguiça


Diante de muitas regras impostas pela sociedade e padrões delimitados pela mesma para que possamos conviver em conjunto, nos encontramos no puro caos.
Para quem diz que a escravidão acabou totalmente, eu posso te dizer o total contrário. Ainda vivemos sobre o controle de superiores, sejam eles seu chefe ou o estado. Vivemos aprisionados e limitados pela nossa classe social e nos enfiamos nessa tal utópica procura pela felicidade, que, convenhamos, parece nunca aparecer. No meio tempo, estamos encaixados num sistema terrivelmente quadrado que se resulta nessa rotina infernal que desgasta e cobra muito de todos nós. Simplesmente tomamos isso como algo "normal", o que é errado, em minha percepção.
E além disso, há a pressão do padrão do cidadão perfeito que cai diretamente sobre nós. O cidadão perfeito é o cara que nunca sente-se cansado ou indisposto; o que nunca tem preguiça. Há esse irritante exemplo que devemos seguir: O de nunca pararmos. Não podemos descansar, respirar, dormir, ver TV, ficar no computador à toa sem torrar o cérebro por alguns minutos sequer. Seja você estudante ou trabalhador, você se encontra num sistema sufocante diário.

 Precisamos estar sempre em movimento constante, "trabalhando duro", nos matando de estudar, de trabalhar e isso é tudo uma artimanha dos grandes, dos superiores. Você estuda para se tornar um trabalhador, e um trabalhador é aquele que traz mérito e lucro ao país ralando sem parar e, vez ou outra, se tornando o superior de alguém, oprimindo outra pessoa. Vivemos num sistema opressor que nos manipula e atormenta... Estamos condenados a sempre ter um mesmo fim. 
Existem tantos anti-depressivos. Pessoas tomam tanto café. Pessoas sempre tem tantos problemas, vivem estressadas. As pessoas estão explodindo! É uma grande panela de pressão, uma hora tudo vai se tornar tão apressado mas tão apressado que não vai mais gerar em nada tantos nervos morrendo. Todos os produtos que são vendidos apresentam uma velocidade maior para a resolução de algum problema anterior e assim as coisas vão. Um celular que antes mandava uma mensagem no tempo de 10 segundos agora manda a mesma mensagem em 0,1s. Seria isso o paraíso como todos sempre insistem em falar? 
Passar dias em claro estudando para o vestibular, precisar tomar cafeína para conseguir se manter de pé e continuar prestando atenção. Estudar, trabalhar, estudar, trabalhar. Ficar 1h esperando o ônibus chegar, ficar servindo cafézinhos para seu chefe, tomando qualquer tipo de parada que não te deixe piscar. Esse é o nosso normal. Não, descansar não! Ter vontade de não fazer nada é proibido, é sinal de desleixo, significa "ser folgado". Desde quando dar uma pausa em algo é sinal de fraqueza, desistência? Desde quando se permitir faltar um dia no trabalho é "ser vagabundo"? É você que auto se induz nesse sistema louco julgando aos outros "preguiçosos", querendo ser sempre o primeiro, o melhor, acabando com qualquer concorrente. Estamos num mundo competitivo e selvagem, não é mesmo? Não há tempo para mais nada. 
Tem muita coisa errada nesse aglomerado todo. Existe muita coisa que cheira mal e muita coisa que você sabe que te faz mal mas simplesmente deixa passar porque se não vai perder o horário do ônibus. Toda essa pressão mata. 
E, como pude reparar, agora até mesmo o lazer é comercializado. A diversão é um produto, é como se fosse outra pílula para equilibrar seu dia. Se você quer entender o sistema da rotina como eu o entendo, imagine sete gavetas, cada uma representando um dia da semana. Dentro delas, você encontrará inúmeras pílulas, cada uma com uma função. Uma para divertir, outra para sobreviver (comida, bebida), outra para trabalhar, outra para convivência entre família e amigos, o ambiente social. Essas "pílulas" fictícias não são naturais, não são "orgânicas", são artimanhas produzidas pelo homem moderno. Todos temos cordas em nossas cabeças que fazem de nós marionetes ingênuas. Achamos que estamos procurando a felicidade mas apenas estamos a adiando cada vez mais. 
Criamos nossas crianças com o intuito de induzi-las ao mundo, por meio dos brinquedos, dizemos quais são suas funções na sociedade. As meninas se encontram no meio interno, cuidando da casa, dos filhos (bonecas), agora, os meninos, se encontram no meio externo, brincando de carrinhos, por exemplo. As funções já são ditas a partir desse momento. A partir disso, a criança já é introduzida a vida que ela vai levar. Isso não soa extremamente entediante e padronizado para vocês? Isso me enoja. Somos treinados para fins lucrativos. Todas as normas e valores sociais que foram construídos até agora são muitas vezes pura idiotice. 
Resumindo... Está tudo bem em ter preguiça. Você não precisa seguir esse sistema infernal sempre, é OK ter pausas e descansos. E não, não é por isso que você será incompetente ou folgado. Você está absolutamente certo em querer descansar, afinal, você é um ser vivo, e seres vivos precisam recuperar energia.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

E se nós fôssemos parte de um átomo?

Sim, eu sei. Você provavelmente está pensando que toda a matéria é feita de átomos. Mas e se nós fôssemos a parte de um átomo? Calma, deixe-me explicar melhor.
Temos aqui o sistema solar. Ao centro, o sol. E em volta dele, os planetas. Existem milhões de outros sistemas pelo universo todo.
No átomo, temos o núcleo. E em volta dele, a eletrosfera. O esquema é o mesmo. Existem espaços vazios no átomo, assim como em sistemas do espaço. Existem camadas e existem elementos específicos. O sistema solar pode ser comparado com o modelo atômico. Isso não é discutível?
Isso me dá essa ideia louca de que o universo inteiro se resulta novamente em nós. E se os sistemas solares fossem átomos, e se o universo todo fosse uma molécula, que voltaria a ser um humano em outra dimensão? Voltaria a ser uma mente. O universo pode ser a nossa mente?!
Eu sei o que vocês estão pensando. Não defendo essas minhas ideias com todas as minhas forças, mas ter esses devaneios curiosos muitas vezes é bom. Exercita nosso cérebro e realmente nos faz pirar. Mas é uma piração boa, uma piração que desperta a curiosidade. Como a curiosidade de uma criança.
Retomando... Nós temos átomos. O modelo atômico de repente é idêntico a um sistema solar. Não sabemos da onde "surgiu" o universo (em minha opinião, ele sempre esteve aqui), não sabemos de onde surgiu a vida de fato. É como algo sem fim. Que sempre volta pro mesmo lugar. É como você se olhar num espelho por outro espelho. E se existisse mesmo um fim, tudo voltaria ao mesmo espelho, e então, nesse caso, não seria tecnicamente um "fim", pois todos os milhões de reflexos no espelho ainda estariam lá. Confuso, eu sei, mas tentem acompanhar. Isso se encaixa ao universo. E se o universo fosse na verdade nossa mente, e se tudo que cada um de nós acreditássemos realmente existisse... de um modo individual? Eu acredito em E.Ts, você não. E se, por causa disso, E.Ts existissem para mim e não para você? Você não os veria como eu os vejo. E se... Que piração. Estou indo contra tudo o que a ciência já disse, mas quem se importa com a ciência num momento de epifania como esse? A ciência, por mais que tente, nunca resolverá esse quebra-cabeça. É um mistério. A criação não poderá ser descoberta! O Big Bang em minha opinião é uma furada. Me expliquem, por que o nada explodiu? O nada já é algo. O universo surgiu então de uma explosão provocada pelo... Nada?! O nada nunca será apenas "nada". E se tudo já esteve aqui? Sem começo, sem fim. Infinito. Sem tempo. É tão difícil de encaixarmos isso em nossa cabeça... Mas é o que eu acho. E, então, esse universo está em nós. Esse universo é a gente. Vocês nunca sentiram essa energia? Essa energia de vida! Essa energia que não sabemos dizer o que é, uma energia sem partícula, incompreendida pela ciência. Algo místico, poderoso, mas não divino (não do jeito que nós conhecemos o divino. Não envolva religião cristã nessa minha piração!). Essa energia que dá a vida para as coisas. Tudo tem vida. O cobertor tem vida, uma estrela tem. Desprendam-se da ideia de que a vida se resume a respirar ou qualquer outra coisa neste mesmo sentido. Existe essa inconstância de átomos em cada matéria. Há um movimento, nada é mórbido, nada está congelado. Tudo está VIVO (e, bom, mesmo o congelado está vivo... Mas vocês entenderam...)! E essa força toma conta de nós, e, no fundo, a sentimos. Como se fosse nossa alma, essência. Nossa essência então seria o universo, e o universo seria nossa essência, e assim nada teria um marco de término. A força está em nós, e, mesmo você achando esse meu papo uma bela @#&^%, você sabe do que eu falo... Não sabe? Você sente, pelo menos. Lá no fundo, lá no inconsciente. Todas essas perguntas sem fim, todos esses paradoxos e semelhanças que existem por aí. Não pode ser por acaso. O nascimento. A morte. Nada disso tem significado mais, pois tudo sempre esteve presente. Passado, presente e futuro... Eles não existem! Tudo, de algum modo, sempre esteve aqui, e, de algum jeito mágico, tudo está certo. 
Gostaria de comentar aqui também, nesse espaço de loucuras, sobre Deus, o todo poderoso. O Deus cristão. Pra mim a religião cristã é só uma desculpa esfarrapada para aqueles que não querem buscar por mais e se contentam com essa #@$% como verdade. Me desculpe se você é cristão. Eu te respeito, te respeito mesmo. E vai que Deus realmente existe? Não para mim, mas para você. Compreende aonde eu quero chegar? Temos que viajar nas ideias! Bom, voltando. Minha opinião sobre a religião cristã poderia dar um outro post totalmente alternativo, mas, resumindo, eu não acredito em Deus. Mas eu não sou agnóstica, não sou atéia. Eu não acredito nesse Deus que a religião cristã diz ser. Eu acho a bíblia uma porcaria. Eu acho que a religião tem um significado muito forte em nossa sociedade. Um significado muito errado. Está tudo distorcido. Vemos pessoas frustradas quanto a religião pra lá e pra cá hoje em dia. Eu entendo o princípio da religião, e o acho muito bacana. É possível senti-lo. Mas deste modo? Eu detesto. E acho que os dez mandamentos poderiam desaparecer. Isso tudo simplesmente não entra na minha cabeça. Eu tenho um lado místico muito forte, e não vejo a vida deste modo. Você pode ver. Mas eu não. E você não está errado. Nem eu. Estamos todos certos, estamos todos buscando por respostas que, em minha opinião, nunca serão dadas para nós. Mas cada um com seu jeito de busca, não é? Cada um com suas crenças. As minhas crenças são totalmente loucas e creio que não exista um nome para elas. Essa ideia de um cara barbudo que criou o mundo? Não cola no meu cérebro. Eu tenho uma mente aberta, mas cética. Eu questiono muito e, realmente, a religião cristã só me parece mais uma artimanha do homem para a destruição. Pelo menos é o que ela se tornou. 
Voltando novamente... (veja como eu me perco...) O universo na verdade é minúsculo. E na verdade o universo é a nossa mente. E nós somos feitos de átomos. E nós fazemos parte de um átomo que parece ser grande mas na verdade é minúsculo. Somos formigas e gigantes. E se tudo de mais grande na verdade fosse pequeno? Tamanho não existe, é sempre uma comparação. E se o universo fosse os pensamentos, que não tem fim? E se os buracos negros nos levassem para outros mundos que nem poderiam ser considerados "mundos" de tão loucos e diferentes que são daqui? Nos levassem para outras realidades? Totalmente diferentes. Sem átomos dessa vez. Sem nada que conhecemos. Novo. Totalmente novo. Não é possível que tudo tenha um sistema padronizado. É diferente. É... Indescritível. 
Minha mente está delirando agora. Eu creio que poderia falar mais, pois, afinal, tem vários pensamentos aleatórios surgindo na minha cabeça no momento. Espero que vocês tenham conseguido compreender, mesmo que de levinho. Até mesmo a parte da energia, essa força constante que todos nós podemos sentir, que diz respeito a vida? Sempre quando o assunto é "criação" do universo, eu fico a mil. Questões, dúvidas, devaneios, pensamentos absurdos. Espero ter levado vocês a outra completamente louca dimensão. Até o próximo devaneio, totalmente sem razão (não a conhecida pela ciência, pelo menos...).

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Linha final




As molduras dos porta-retratos já estão tão envelhecidas. O cobre desgastado, o vidro que protege as fotos do ar úmido empoeirado, todo riscado. Já se passaram décadas e todas essas fotos ainda estão comigo. Todas as fotos das melhores épocas de minha vida. Não sei nem dizer o que sinto ao vê-las, mas me dá uma sensação estranha. De algum modo, elas parecem distantes ao mesmo tempo em que tenho a impressão de que todos aqueles bons momentos impressos nelas aconteceram ontem. Sinto nostalgia, um aperto forte no coração. Vontade de chorar e de gritar. Vontade de voltar no tempo, de abraçar todos aqueles que se foram e de ter minha juventude de volta. Já me disseram uma vez quando era mais nova que a vida passava rápido demais. Nunca acreditei nisso, sempre achei que tudo aconteceria num ritmo devagar, nunca chegando a um fim. Mas acontece que estava errada. O tempo passou mais rápido do que devia, as rugas e cabelos brancos eventualmente foram aparecendo em mim e de repente tudo que eu conhecia havia sumido. Tudo se foi subitamente e eu realmente me faço a mesma pergunta todos os dias, “Eu fui feliz?”, e a resposta vem fácil. Eu fui, mas não soube como cultivar tudo que colhi durante a vida, perdi tudo rápido demais, não valorizei do jeito que devia. Agora, é apenas o vazio que predomina dentro de mim. Como se houvesse um grande precipício entre mim e a felicidade. Todos os carros, todas as TVs, jóias e roupas que conquistei não fazem a menor diferença. O que realmente foi a minha verdadeira alegria se foi.
Sob o caixote do meu piano, estão todas as fotos. Eu e Ross em nosso primeiro encontro, aparentemente desconfortáveis, mas se acostumando à sensação de estar próximo um ao outro, se adaptando e lentamente se soltando; Lisa e eu na nossa primeira festa, totalmente perdidas, com roupas que ninguém jamais usaria, apenas tentando nos encaixar naquela terrível época da adolescência. Pra falar a verdade, nunca fomos muito fãs de festas. Em seguida, eu, Lisa, Claire, Maggie, Daryl e Sam, o famoso grupinho, comendo na lanchonete que ficava na esquina da escola. Éramos inseparáveis, como carne e osso. Nos amávamos tanto que até chegávamos a nos odiar. Lembro que eles sempre me apoiavam em todas minhas ideias loucas, lembro que foram os melhores amigos que já tive. Não faço ideia de onde eles estão agora. Na quarta foto, eu e meus pais enquanto ainda eram vivos. Lembro de como nunca os deixava chegarem perto do meu cabelo com uma escova, de como sempre passeávamos pela praça perto de casa e meu pai me contava histórias loucas de suas vivências e do jeito que eu dançava quando eles estavam ao meu redor, até como se fosse um show privado. Sinto falta deles, como sinto. Eram dois loucos, assim como eu. Nunca fomos muito ordinários, nunca seguimos nenhum padrão e de vez ou outra aparecíamos de pijamas nas ruas juntos. Meu mais verdadeiro sorriso sempre foi ao lado dos dois. Que dor no peito, eles se foram e eu nunca tive a chance de me despedir apropriadamente.
Havia apenas mais alguns retratos, e logo mais meu antigo álbum de fotos. Fotos de mim dando aula como professora de história, de mim pintando quadros que ninguém nunca irá encontrar, eu tocando o meu famoso piano aos sete anos de idade, cantando no karaokê ao lado de Sam em algum bar qualquer, ganhando um prêmio pelo meu livro “Escunas e lacunas”... Fiz coisas demais. Creio que experimentei tudo o que devia ter saboreado, mas de algum jeito não foi o suficiente. Não durou. Todas as fotos do meu casamento com Ross, do nascimento do nosso filho que agora vive no exterior, Rick, de repente perderam seu real valor. Eu não as sinto mais como parte de mim. Acabou. Já não sinto mais nada. Perdi todo o nexo, todo o rumo. As músicas já não me animam mais, não tem significado nenhum. Não sei quem sou. Estou tão solitária.
Lembro de todas as vezes que Ross disse pra mim que tudo iria ficar bem antes de ele falecer, lembro de todas as vezes que Rick falou pra mim que voltaria todo ano para me ver mesmo não tendo o feito. De todas as vezes que minha mãe segurou a minha mão e disse “Minha princesinha, porque você não cala a boca e vai dormir?” nesse tom irônico que me fazia morrer de rir, de todas as vezes que meu pai me colocou em seu colo enquanto assistíamos futebol mesmo comigo não entendendo nada, de todas as vezes que Claire e Maggie faziam penteados insanos no meu cabelo e de todas as vezes que Daryl riu de mim por nada. A vida é feita de lembranças, de pequenos momentos simples e reconfortantes. Momentos que te dão a ideia de lar, de amor e acolhimento. Não acredito que fui tão cega a ponto de perder tudo por conta do dinheiro que conquistei. Como pude me tornar tão materialista e mesquinha de uma hora pra outra? Sem sentido. Decepcionei aqueles que mais amei, joguei no lixo todas as memórias da melhor época da minha vida. Não culpo Rick por não querer estar com a mãe, não culpo ninguém que já brigou comigo. Eu mereci. É tão horrível saber que tudo já esteve em minhas mãos e que eu perdi. Achei que o jogo era outro, entendi errado os sinais que a vida me deu, segui um caminho de pura ambição e competitividade, sem nunca olhar pra trás, sempre almejando o primeiro lugar. Eu perdi minha verdadeira essência no meio dessa longa e confusa jornada e agora é tarde demais. Tornei-me amarga, constantemente tendo que visitar o hospital por causa de saúde mental e física terrível. Agora vivo por culpa dos remédios, de toda essa dosagem de medicina.
Certo dia, decidi que não valia mais a pena. Os meus momentos já foram. Rick, Ross, Daryl, Sam, Lisa, Claire, Maggie, mamãe e papai ficaram no meu doce passado. A vida, - ou até mesmo eu -, matou o sonho que sonhei. Meus olhos nunca estiveram tão apagados, meu coração nunca bateu de maneira tão fraca. Era a hora de dizer adeus para mim mesma e para esse mundo. Sentei-me em frente a meu grande e antigo espelho, penteando meus cabelos com o olhar seguindo o ritmo que a escova fazia em minhas mechas. Larguei a escova, olhei diretamente para mim, a pessoa refletida no espelho, aquele monstro que havia me tornado e de modo lento abri a gaveta ao lado. Peguei a arma. Com as mãos trêmulas e os olhos molhados, pressionei a arma contra minha cabeça e com um último suspiro, puxei o gatilho. Sem balas, a munição havia acabado. Ainda assustada do impacto do momento, me afastei e fui para a sala de estar, coberta por compridos casacos de lã com suas mangas que enxugavam minhas lágrimas que agora escorriam freneticamente em meu rosto gelado.
Observei a sala por horas. Pensei no que havia tentado fazer e não me arrependo, logo mais tentaria novamente. Os móveis intactos com suas cores mortas, a tinta da parede descascada e o carpete amarelado, o tic-tac do relógio enferrujado que me trazia desespero em cada pontada. Fazia tempos em que não cuidava daqui. Nunca senti esta casa como um lar desde que Ross se foi. Vez ou outra ainda o sinto aqui, mas logo reparo que é apenas minha loucura. Porque ele gostaria de estar comigo, afinal? Me descreviam como a mais animada, entusiasmada, empolgada, criativa e louca. Maggie nunca deixou de acreditar em mim quando disse pra ela que queria ser escritora. Sam nunca duvidou de mim em nada. Minha mãe sempre dizia que seria uma estrela algum dia, e, logo depois, corrigia-se “Me enganei. Você já é uma estrela”, o que sempre me estampava um sorriso na cara. O que aconteceu comigo? O tempo me envelheceu não apenas fisicamente. Estou cansada em todos os sentidos. 
Estava me preparando para voltar ao quarto, agora com munição para finalmente finalizar minha dor, mas de repente, escutei um Ding-dong. Era a campainha. Estranho. Me aproximei da porta, aflita, tentando observar pela sombra da janela meio-translúcida lateral quem seria. Era sem dúvidas um homem. Abrindo a porta, me deparo com um senhor com aproximadamente minha mesma idade, com o olhar amigável. Parecia que o conhecia há muito tempo, pois possuía um rosto familiar. Depois de alguns segundos, finalmente me dei conta de quem era.
            - Pam? – o homem disse, certificando-se se eu era realmente quem ele procurava.
            - Daryl? – hesitei. Tinha certeza que era ele, meu antigo amigo. O que ele fazia aqui?
            - Pronta pra botar o papo em dia? – disse que sim com a cabeça, incrédula, enquanto ele entrava em minha casa como quem nunca tivesse saído de lá. Não fiz nenhuma pergunta sobre o como ele havia conseguido meu endereço, apenas aproveitei o momento. Era como um milagre. Não sei se merecia, mas não quero me questionar. Estou recebendo uma segunda chance. Pelo visto, não é tarde demais para tentar outra vez, para recomeçar. Era hora de construir novas memórias.     

            

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Andarilha



Depois de tudo, eu ainda sou uma aprendiz da vida
Minhas lágrimas estão secas agora
Eu sei em que direção ir
Eu sei que o caminho está certo
Os barulhos da noite irão me guiar
A insanidade da minha cabeça irá me acolher
Eu sou uma andarilha
Nenhum lugar fixo para estar, eu estou em lugar nenhum
Eu apenas irei seguir o fluxo
O dia irá esclarecer minhas dúvidas
O vento levará a poeira da minha vida para longe
Minha cabeça me deixará sabendo o tempo certo de parar
Meu coração me dirá quando continuar
Eu sou uma andarilha
Do tempo, sou uma encruzilhada
Deixarei isso me levar
Estarei correndo por volta de todas as ruas
Sou uma andarilha, uma aprendiz
Eu sou uma página vazia, um novo começo
Eu sou uma andarilha, uma louca no meio de palavras perdidas
Nenhum lugar para ir, nenhum lugar para estar
Meu espírito está solto
O vento irá me levar

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Conectados


Esses dias fui ao cinema e assisti o filme "A Viagem" (Cloud Atlas), que conta com um ótimo elenco e direção. É um filme longo, muitas vezes difícil de acompanhar, mas no final das contas acaba sendo muito bom, com uma mensagem importante. Depois que o assisti, fiquei inspirada para escrever alguns textos; rabiscos. Aqui estão eles:

nós somos inifinito
a morte não existe; é apenas uma porta
estamos todos conectados
o tempo e o espaço não existem
somos apenas um
passado, presente, futuro
tudo está interligado
não existem barreiras, apenas as que criamos
nossos olhos se recusam a enxergar, mas na verdade nós sabemos, no fundo
que nossa alma é livre, está sempre de lá para cá
temos ligação profunda com os outros
não há apenas essa vida
nós nos conhecemos há muito tempo
no fundo nós sabemos
mas no dia-a-dia, apenas omitimos e escondemos os fatos
nos negamos a acreditar que está tudo conectado
não deixe de lado sua curiosidade, sua vontade de descobrir
queremos saber a origem, queremos saber da onde viemos e por que
a vida e o universo contém muitos mistérios e, dentro de nós, existem todas as respostas
nós apenas nos esquecemos
não somos o que vemos no espelho
a idade é apenas um número ilusório
somos nosso espírito, que está espalhado por todo lugar

***

meu amor, talvez aqui não seja o final
quem sabe nos encontramos em outra vida
afinal, nos conhecemos há tanto tempo
não lembramos de fato, as memórias nos falham
mas sabemos, sabemos que já nos vimos
você já passou por mim, já cruzou o meu caminho
talvez não nessa vida, quem sabe em outra
você esteve comigo nesse percurso todo
de mãos dadas, seguimos juntos nessa estrada
nos questionamos juntos sobre esse caminho confuso, porém verdadeiro
não fique triste, meu bem
não chore por cima de meu corpo apodrecido
a morte não passa de uma mera passagem
não sou o que você vê, sou aquilo que você sente que sou
não se preocupe, te encontrarei do outro lado
espero que nos cruzemos novamente nesta viagem louca, misteriosa e surpreendente chamada de vida


É um filme que recomendo. Assistam assim que puderem.
A melhor sacada do filme é os atores interpretando diferentes personagens em épocas diferentes, como se realmente fossem "encarnações". Reparem nos papéis do Tom Hanks, por exemplo, está em vários.