terça-feira, 26 de agosto de 2014

Voz

O que é uma manifestação?
O que é uma inspiração?
O que é uma voz?
Se eu disser algo, aqui e agora,
quais são as chances de alguém me escutar?
Quais são as chances da minha voz ecoar,
formar um legado?
Quais são as chances de eu mudar o mundo?

Passo meus dias em culpa, 
olhando para mim com pesar. 
Quem sou eu, onde estou, onde quero estar?
Eu dizia que transformaria, 
que irradiaria, 
que transcenderia. 
Mas quem é que se esconde quando seu nome não está na lista?
Eu inovo? O quê?
Ou só me escondo atrás das cortinas?

É um grande espetáculo.
É um grande palco.
Quais são as chances dos personagens envolvidos nisso me compreenderem?
Quais são as chances de eu dizer algo, sem me enquadrarem? Sem me olharem de um ângulo repetitivo, padronizado, igual?

Eu tenho algo a dizer. 
Eu tenho algo a expressar.
Eu tenho algo a dar ao mundo.
Disso, sempre soube.
Mas bloqueio, bloqueio, bloqueio.
O abismo do fracasso me parece imenso.
Medo. Medo do quê? Do que tenho medo?
De olharem para mim, de rirem de mim, de me apontarem?

Ser invisível e visível. Presente e ausente.
Ou estou no medo ou estou no amor.
Ou estou no medo ou estou na Vida, na verdade presencial.
Medo, uma história antiga. Uma corrente imaginária.
Que nunca me aprisionou, mas eu piamente acreditei que sim.
É uma escolha, agora.

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Disse para mim mesma que, nesse período de minha vida, estaria num bloqueio de escrita,
por estar numa fase sem estar nem ali, nem aqui. No meio de campo.
Mas o que isso tem a ver com expressão?
Se me expresso, me expresso a todo segundo, a todo momento.
Reprimo minhas próprias maneiras de me expressar.
Recuso olhar a verdadeiras transformações que acontecem comigo diariamente.
Recuso me entregar, me disponibilizar, me doar.
Se quero ser livre,
como realmente poderia,
se não me dou nem ao direito de por para fora o que está dentro?
Sem me julgar, sem intelectualizar.
Quantas vezes não recuei, não explorei mais, não me aprofundei dentro de algo,
só porque não queria que isso fosse exposto, que isso fosse dito.
Há real ganho em me esconder assim?
 Qual o ganho que isso tem para mim?
Para os outros?
Para a vida?
É uma diversidade, não há como me catalogar.
Que eu seja livre para me manifestar.
Que eu seja livre para manifestar a vida,
estando onde quer que for o lugar que eu deveria estar,
fazendo o que quer que for.

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