sábado, 15 de dezembro de 2012

Novo estado de espírito.

Leve, livre e solta! Não, isso não é uma propaganda de absorventes.



Meu estado de espírito mudou. Minha personalidade de certo modo não mudou, é claro... mas a minha percepção sobre a vida e sobre seus acontecimentos mudaram e de repente me sinto tão conectada a mim mesma que é impossível descrever a sensação ao certo. Antes, tudo me incomodava. Hoje, cores antigas, que eu não via em mim fazia tempo, foram repintadas no meu ser. Afinal, todas as cores estão aqui presentes, amarelo, azul, verde, preto, etc apenas é preciso exercitá-las e cultivá-las... Eu era uma pessoa travada, fechada e tímida e certamente perdia muitas oportunidades pelo meu jeito de ser. As coisas me deixavam mal. Com o tempo, com as experiências, eu descobri que era assim pelo fato de não me aceitar de braços abertos. Eu não aceitava quem eu era! Eu não me deixava solta para nada, eu era presa. Uma pessoa presa. Com o tempo, fui aprendendo que não adiantava nada se auto colocar para baixo. Não adianta, nunca vai. Hoje, ainda estou no processo de me desprender desse meu antigo estado de espírito que, na verdade, não era meu, e sim, estava preso à mim. Aos poucos, estou cada vez mais solta. E quanto mais solta fico, mais feliz eu fico também. Mais amor cabe em mim, o ódio sumiu de repente. As coisas, do nada, ficaram claras para mim. E ficou claro que cada um de nós tem princípios, objetivos que alcançarão no decorrer da vida, e, o meu é, aprender a dançar na chuva. Não sei se vocês já ouviram, mas existe uma frase que é "O importante não é esperar a chuva passar, e sim dançar nela". Os julgamentos, rótulos, pensamentos, sumiram. Coloquei todas minhas preocupações de lado e agora, pela primeira vez, estou vivendo o presente, estou vivendo como gostaria. Estou orgulhosa, ao mesmo tempo que me sentindo livre. De algum jeito, não ligo mais para o que os outros pensam de mim, não ligo mais em passar as impressões certas porque nunca tive mais certeza de quem sou! As dúvidas continuam aqui, mas, de algum modo, elas não fazem tanta importância como faziam antes. Agora que eu entendi minha essência, estou calma. Não sinto mais que tenho uma reputação a zelar, uma imagem a passar. Hoje, só quero ser feliz, só quero estar em paz comigo mesma, tranquila, com a mente aberta e me divertindo, aproveitando. De algum jeito, sinto que há muito que posso e quero oferecer... De algum jeito, não sinto que preciso de mais nada, apenas sinto que as coisas boas virão com o tempo agora que estou numa energia de acolhimento de boas vibrações... De algum jeito, eu amo a todos...  Há muito a viver, muito a ser repensado. Outra frase que conheço, e essa ouvi de minha mãe, é "Só existem dois tipos de pessoas no mundo. As que te amam e as que não te conhecem", e essa frase é pura verdade. O ódio é algo precipitado, agressivo, mal pensado. Nunca conhecemos aquilo que odiamos de verdade. A mensagem que me veio a cabeça nesse processo todo, principalmente, é a de que somos MAIS do que tudo isso. Nossa existência não para na terra. Nossa alma... Nossa alma é enorme e incendeia luz por todas as partes. As partes escuras, sem luz, são as que a mente formam, são as que nós mesmos construímos. Tenho a impressão de que há muito que eu poderia falar... Mas as coisas que quero dizer não saem. O que esteve na minha cabeça nunca entendeu como sair. Espero que vocês tenham captado a mensagem. Espero que vocês também se desprendam dessa ideia de sociedade perfeita padronizada, vivam o quanto puderem esse mundo utópico que todos sonhamos. Tentem torná-lo real. Sejam vocês mesmos... Quando somos nós, nada nem ninguém pode mexer conosco. Somos enormes. Somos gigantes. Somos parte do mundo. 

sábado, 10 de novembro de 2012

Ela & Ele.


Ela & Ele.


Era a terceira vez naquele mês. A terceira vez que tudo já havia dado errado. Ao chegar em casa, correu para o quarto, trancou as portas, caiu na cama e chorou, chorou até não sobrar mais nada. Sentou-se em sua cama, segurando junto a seu corpo o travesseiro agora molhado que logo em seguida começou a socar, com um olhar de fúria em seus olhos. Soltando raiva por toda parte, ela estava devastada. Por mais que ela tentasse, não havia mais nada a ser feito. Cansada de aguentar as mesmas tensões de casa, decidiu que iria sair para a rua, tomar um ar fresco. Limpou seus olhos, pegou um casaco e saiu, sem dizer uma única palavra à seus pais, que nem notaram-na indo embora.
      Logo ao sair de casa, seu olhar mudou. Não porque ela estava melhor, mas sim porque havia voltado à mesma expressão facial que usava todos os dias para disfarçar a dor dos outros, a mesma que ela usava para mostrar aos outros o quanto ela era forte e agradável. Ela reprimia roda a dor acumulada. Não queria que ninguém a visse, que ninguém a conhecesse realmente. Afinal, em sua mentalidade, não havia nada nela que valia a pena ser mostrado.


      Era a terceira vez naquele ano. A terceira vez naquele ano que seu coração foi partido novamente. Ele estava cansado de ser abandonado por todas as garotas que ele um dia chegou a conquistar. Estava cansado de ser esse romântico bobo de sempre que nunca consegue nada pra valer. Era a terceira vez naquele ano que mais uma garota que ele gostava estava com outro. Chegando em casa, cercado de todos os amigos, sentou-se e fingiu não se importar com o rompimento de mais um relacionamento. Todos os amigos gritavam “Agora aquela gostosa está a solta! Quem será que vai pegar ela primeiro?”, e ele ria, mas na verdade, estava só fingindo mais uma vez. Estava devastado por dentro, mas nenhum amigo seu podia saber disso, iriam zoá-lo. “Não se preocupa não, cara! Logo aparece mais alguma gostosa pra você pegar!”, disse um amigo para ele, enquanto todos os outros riam. Queria ir embora. Não aguentava ficar mais naquela sua casa cheia de amigos inúteis. Pegou dinheiro e disse à todos “Eu to saindo. Mas sintam-se livres para pedirem uma pizza.”, disse, enquanto pensava no quanto os amigos nunca apreciavam tudo que ele fazia à eles. “Aonde você vai?”, perguntou um dos amigos. “Vou andar um pouco de skate pra esfriar a cabeça.”, respondeu. “Esfriar a cabeça? Ih, cara, não esquenta! Mas cá entre nós, pra quem você dá aquela sua ex gostosa? Pra mim, né?”, e, deste modo, os amigos continuaram rindo, enquanto ele só mais triste ficava.


Ela não sabia para onde ir, literalmente havia perdido a cabeça com mais aquele dia sufocante, onde teve que lidar com todos rindo dela novamente na escola por ser diferente demais. Ela não aguentava mais aqueles pais que para ela nem ligavam, a ignoravam. Ela só queria ser escutada por alguém, mas não havia ninguém para isso. Todos eram iguais, todos eram idiotas. Todos os dias ela estava triste e ninguém reparava. Séria, tensa e preocupada com tudo ao seu redor, havia séculos que não se divertia.
Andou muito e só encontrou um lugar decente para ficar: O parque. Nele, a parte mais legal sem dúvidas era a rampa dos skatistas, e, com certeza, ela ficaria lá observando-os.
Sentou-se num banco enquanto logo quis se esconder. Um menino de sua escola antiga, totalmente babaca, estava andando de skate em sua frente. Ele era daquele tipo de cara que seguia tudo o que os amigos diziam. Aquele tipo de cara banal, com a cabeça fechada que não se interessa por nada além de rir dos outros. Ele ria dela. Será que ele tinha a visto? “Espero que não”, pensava. Ela não queria ser vista por ninguém. 


Enquanto andava com o skate, ele ainda estava pensando no porque de ser amigo desses caras idiotas e do porque dele sempre se dar mal no amor. Ele se sentia um babaca completo. Para começar, ele era mau com todos os caras diferentes dele na escola, e sempre estava caçoando de todos pelas suas costas. Ele precisava mudar, não conseguia suportar mais por um segundo ser ele. Na verdade, nem ele ele estava sendo, porque, na realidade, ele era algo que nunca havia mostrado a ninguém. “O que há de errado comigo?”, pensava, enquanto, de repente, avistou ela. Ela era aquela garota que estudava com ele mas saiu por ter sido zoada demais. Ela era aquela garota esquisita que ele até mesmo zoou. Ele nunca havia reparado no quanto ela era bonita. Ele caiu do skate, distraído, ainda olhando para ela. Levantou-se, arrumou sua camisa de marca, que, na verdade, ele odiava, e foi em direção dela. “Oi. Você é aquela menina que estudava comigo, não é?”, disse, tentando ser simpático. “Sim, eu sou.”, ela respondeu, com a cara emburrada, tentando dar um sorrisinho. “Então, o que você está fazendo aqui?” “Nada. Só observando.” “Só observando?”, indagou ele “Sim.”, ela respondeu, friamente. “Olha, me desculpe. Eu sei o quanto eu fui um idiota com você quando estudávamos juntos, e saiba que gostaria de retirar tudo aquilo de ruim que disse. Você não é nada disso.”, desculpou-se, assim que reparou o quanto brava ela ainda aparentava estar. Era verdade, ele realmente havia sido um otário. “Eu vou te desculpar só porque eu não tenho nada melhor para fazer. Mas só por isso.”, ela respondeu, com um leve sorriso se abrindo no canto de sua boca. “Então, disposta a conversar?”, ele disse. Como sempre, ele era muito comunicativo e, quando estava longe de seus amigos, era sempre aquele simpático, amigo e inofensivo, que não machucaria nem uma mosca. Ela não pôde ignorá-lo, e assim, conversaram.


Ela havia reparado o quanto ele era diferente sem os amigos. O quanto ele era amigável... A conversa fluiu de um jeito tão bom que ela nem se sentiu envergonhada. Ele era um cavalheiro. “...E, na verdade, eu odeio essa blusa aqui. Eu não usaria isso nunca.”, ele resmungou, ao final de uma frase qualquer. “Então porque a usa?”, simplesmente, ela perguntou. “Porque é...”, ficou quieto ao reparar na mais pura verdade “Porque é o que os meus amigos usam.” Pelas expressões confusas dele, ela conseguiu notar o quanto ele queria mudar mas não sabia nem por onde começar. “Eu vou te ajudar.”, disse, mas, desta vez, com um grande sorriso. “Você faz assim: Largue todos esses seus amigos, que, na verdade, nem ligam para você. Não seja igual a eles, você sabe que não é. Você tem gostos e valores diferentes dos deles, e isso não é ruim. Não se perca...”, ela não conseguiu continuar ao reparar o quanto ele era lindo “Como estava dizendo... Não se perca, junte-se àqueles que te respeitem como você é.”, por fim, respondeu. “Mas a verdade é... Eu não sei quem eu sou.”, ele confessou, parecendo confuso. “Claro que sabe. Você é tudo aquilo que você faz quando ninguém está por perto.”, ela disse, fazendo com que todas as dúvidas de sua cara desaparecessem. “Então meu gênero musical favorito não é eletrônico, e muito menos rap... É rock! Assim como meu estilo de roupas que não é esse, todo mauricinho... Eu gosto de usar são roupas casuais, bem básicas, sem nada dessas marcas e símbolos. Eu gosto é de ser legal com as pessoas, e não de agredi-las... Eu sou bom, não sou?”, ele perguntou, confuso. “Você é. Por tudo que você me disse, só pude reparar no quão generoso você é. Você só está dando essa generosidade às pessoas erradas.”, serenamente, ela respondeu. “É, é verdade...”, ele refletiu, relembrando de todos os momentos que esteve lá por seus amigos e suas namoradas, nas nenhum nunca esteve lá por ele. Isso tudo soava um tanto idiota, mas ela sabia o quanto esse processo era importante para ele, e, de verdade? Ela se importava. Ele estava se esclarecendo enquanto ela assistia e ajudava, e isso era o melhor que ela já podia ter feito à alguém que ela nem gostava... Até agora.
“Mas agora chega de papo. Vem comigo. Você vai aprender a andar de skate.”, ele disse, passando seu capacete para ela. “Não, que é isso!”, ela gritou, enquanto ele a empurrava. Já era tarde demais. Quando ela viu, já estava na rampa com um skate na mão e ele bem atrás dela, segurando-a e falando tudo que ela deveria fazer.


Deslizando a rampa com o skate, seus joelhos já estavam todos ralados e o capacete fora do lugar, mas      ela estava sorrindo enquanto ele gritava “Quase isso, quase isso!” seguindo todos seus movimentos, logo atrás dela. Ela continuou tentando fazer as manobras, mas só caia, caia e caia. Estava sangrando desde os pés até as pernas, mas não estava nem aí. Era a vez dela de sentir a sensação de liberdade. A vez dela de se sentir aos ventos, divertindo-se, e era exatamente isso o que aquele momento estava trazendo à ela. “Você está bem?”, ele gritava, e ela apenas dizia que sim com a cabeça, rindo como uma louca desamparada enquanto ele dava a mão para ela levantar novamente. Todos os outros ao seu lado estavam rindo, mas ele não ligava, e, pela primeira vez, ela passou a não ligar. “Seu primeiro dia de aula foi muito produtivo.”, disse ele, enquanto reparava em todos os machucados nela, que sorria para ele com os olhos mais brilhantes do mundo. “Espero que seus pais não pensem que eu sou um drogado que num momento de raiva te machucou.”, e, novamente, ela riu. “Não se preocupe. Não verei eles hoje e, na verdade, não sei para onde ir.”, soltou ela, que via agora suas preocupações voltando. Suas feições logo endureceram, e, rapidamente, ele reparou e acrescentou: “Não precisa ir pra lugar nenhum. Vamos ficar juntos por hoje. Você pode ficar lá em casa, não tem ninguém por lá.” Ele sorriu ao reparar que a seriedade no rosto dela havia sumido de vez quando ele falou isso. “Muito obrigada”, ela disse num tom de alívio e felicidade. “O que vamos fazer agora?”, perguntou. “Vou te levar na melhor lanchonete da cidade.”, ele disse, dando uma piscadela e a segurando-a pelas mãos. “Vamos.”
      O dia se seguiu assim, com os dois indo de lá pra cá, rindo o dia todo, conhecendo tudo um da vida do outro. Ela nunca havia se sentido tão bem e ele estava encantado por ela inteiramente. Nunca imaginou que ela poderia ser tudo aquilo, nunca imaginou o quanto se divertiria perto dela. Ele queria, desesperadamente, beijá-la.



      “Vem aqui.”, ele disse, já em sua casa, enquanto arrumava o sofá onde ela iria dormir. Sua casa estava completamente vazia, os pais haviam viajado, e como ela não queria voltar para sua casa de jeito nenhum, ele achou que não haveriam grandes problemas em tê-la por perto durante toda a semana. Para falar a verdade, ele até pensou que haveriam problemas com os pais dela, mas esses nem se preocuparam em ligar para a filha para saber onde ela estava. Por tanto, ele decidiu que seria ele quem ficaria com ela, seria ele quem ligaria, de fato, para ela. Assim que ela chegou, sentou-se ao seu lado no sofá, olhando para ele. Novamente, ele se via encantado. De algum modo esquisito, ela era diferente dele, mas era tudo que ele queria. “Você sabe o quanto você é bonita?”, disse, observando o quanto isso deixava-a envergonhada, com as bochechas vermelhas. “Na verdade, não sei. Quanto?”, perguntou, com a cabeça abaixada. “Mais do imaginável.”, respondeu, levantando a cabeça dela pelo queixo suavemente pelas mãos. Tirou todos os fios de cabelo que estavam sob o seu rosto, passando-os por trás de sua orelha. Segurou-a pela cintura e a beijou. Ela se sentiu toda desengonçada, mas algo em sua cabeça dizia que o certo era passar os braços sobre seu pescoço, e, por tanto, assim o fez. “Você é estranha, louca, divertida... É tudo o que eu queria.”, disse, enquanto agora a envolvia com seus braços. A música que estava tocando enquanto se beijavam no som da casa era a música favorita dele, chamada “Live and let die”, do Guns N’ Roses.
     

A semana se seguiu assim, e ela não sabia suportar esse sentimento, nunca havia o sentido de modo tão forte. Ela o amava. O conhecia fazia mais de um ano, mas foi dessa vez que de vez se apaixonou. Foi dessa vez que ela o conheceu de verdade. Achava que ele era só mais um garoto igual a todos os outros, mas, na verdade, ele era o único que fez com que ela se sentisse importante e especial, por mais brega que isso soasse em sua cabeça que se negava constantemente ao amor. Ela estava amando, e não sabia o que fazer, não sabia como agir. Mas ele estava guiando-a como um cão guia seu cego dono. Ele era dela, e ela era dele. Ela nunca esteve mais feliz.
      Ele não conseguia parar de pensar no quanto o toque dela o fazia feliz, no quanto ela fazia com que ele se sentisse único. Todos em sua vida nunca o viram como um cara diferente. Apenas ela e somente ela pôde reparar nisso. Ele estava loucamente apaixonado por absolutamente tudo nela. Todos os defeitos e qualidades. Por algum motivo, ele sentia vontade de cuidar dela. Sentia vontade de fazer com que ela se sentisse amada. Talvez estivesse pensando assim depois de tudo que ela contou sobre sua vida à ele. É, ele queria fazê-la se sentir bem consigo mesma. Ele nunca havia notado nela até ela se manifestar para ele como ela havia feito essa semana, e foi a melhor coisa que já pôde ter acontecido. Ele nunca achou que duas pessoas com vidas tão diferentes pudessem ser, na verdade, tão parecidas. Agora eles estavam juntos. Era isso que ele queria.
      E era isso que ela queria. Ela queria apenas abraçá-lo e não soltá-lo mais. Fazer com que ele se esquecesse de todas as outras que só fizeram mal à ele. Ela queria agradecê-lo por tamanha felicidade.



Numa noite, meses seguinte, os dois deitaram-se juntos, e, numa hora, pararam para refletir em tudo que havia acontecido em tão pouco tempo. Era engraçado como ele fazia com ela se divertisse sem ao menos saber de tão séria que antes ela era todos os dias. Era engraçado o como ela fazia com que ele se sentisse único sem ao menos saber, de princípio, todos seus problemas. Era engraçado como os dois se completavam, mesmo aparentando ser tão diferentes um do outro. Era engraçado o quanto eles eram parecidos, na verdade. No começo, os dois acabaram se ajudando sem saber nada sobre o outro. Ele fez com que ela se sentisse relaxada, e ela fez com que ele se sentisse diferente. No final das contas, ele ainda não sabia, mas a verdade era ter conhecido ele havia sido o melhor acontecimento da vida dela. E, do mesmo jeito, ela também não sabia que a verdade era que, para ele, não houve coisa melhor do que ter a companhia dela durante todos esses meses. Ela tinha sido a melhor coisa que havia acontecido na vida dele, e vice-versa. Foi ele quem proporcionou a maior diversão à ela. Foi ela quem proporcionou os maiores aprendizados à ele. Ele era aquele que havia ensinado à ela o que era diversão e ela era aquela que havia ensinado à ele o que era individualidade. Mas, fora a tudo isso, os dois haviam se ensinado, principalmente, o que era o amor. Um sentia-o demais, e a outra, nem fazia ideia do que era.
“É engraçado o como a vida está sempre pronta para nos surpreender. É engraçado o como eu nunca imaginei que estaria com você, e agora, estou. É engraçado como existem tantas coisas boas que o mundo tem à nos oferecer, e é mais engraçado ainda o como nos negamos a enxergar a verdade. E a verdade é essa. Aqui e agora. Nós dois. Quem diria?”, ela disse com suas sábias palavras, enquanto ele a envolvia com seus protetores braços.

Luíza Buendia.

Julgamentos e derivados.

Afinal, todos nós julgamos de uma maneira ou outra.


Quis passar hoje rapidamente por aqui para dar uma refletida sobre o quanto nós julgamos outras pessoas. Vocês já repararam o quanto as fofocas estão presentes entre nossos assuntos, mulheres? Mulheres, homens, tanto faz. De certo modo, elas estão em tudo. E vocês já repararam que nós acabamos falando mal de pessoas que não passam de nossas conhecidas? No mundo em que vivemos, estamos repletos de pessoas subestimando as outras o tempo inteiro. Pessoas que desvalorizam as outras por não saberem quem elas realmente são, do que elas realmente são capazes. Às vezes, nós, humanos, passamos a impressão errada para os outros, e isso faz com que eles pensem que somos só aquilo que eles viram, quando, na verdade, somos inúmeras pessoas dentro de um corpo apenas. É engraçado o quanto limitamos as outras pessoas e a nós mesmos também com rótulos, achando que elas são só aquilo que aparentam ser ou o que vimos nela em um momento breve. Colocamos rótulos em tudo, generalizando todos os jeitos das pessoas desse mundo, limitando-as de serem mais do que aquilo que "devem" ser. O que enxergamos nas outras pessoas é só a ponta de um ice-berg enorme e gigantesco que é a complexidade humana. 
"Viado", "depressiva", "patricinha", "puta", "riquinho"... Os rótulos, de modo ou outro, são maldosos e totalmente superficiais. Precisamos aprender que todos temos uma história diferente a contar, que todos temos nossa personalidade, que pode até ser marcada por uma característica mais forte sim, mas temos que saber que existem muitos lados dentro de um humano só. Eu, por exemplo, tenho milhões. Nem a própria pessoa consegue se conhecer por inteiro. É difícil "conhecer", de fato, uma pessoa. Sempre há muito em jogo. Nunca pense que você conhece uma pessoa por inteiro, nunca saia julgando a vida dela como se isso não valesse nada. Normalmente atribuímos a questão de pessoas que julgam só àquelas que aparentam ser mais fúteis, mas não. Toda a pessoa, não importa se é popular ou não ou qualquer outra coisa do tipo, julga. E é isso que temos a aprender. A respeitar e ser respeitado. E quanto as fofocas? Cada um tem a sua vida, não tem nada que se meter na vida do outro. Chega de comentários maldosos, pessoas cruéis que falam mal pelas costas... Toda essa intriguinha besta leva a coisas piores como, por exemplo, o bullying. Os estereótipos estão por toda parte, não é mesmo? Parem e repensem. Vocês não conhecem aqueles que vocês xingam de jeito tão intenso como parece ser. Cada um é cada um, por tanto, coloque-se só aonde te interessa: Na sua vida. 
Apesar de tudo o que eu disse, acho que não é preciso levar todas essas questões tão a sério. Digo, não estou falando para vocês pararem de terem opiniões sobre certas pessoas. Afinal, cada pessoa, de fato, tem um tipo diferente de ser que em muitos momentos podemos identificar e dizer se gostamos ou não. Só estou falando aqui que mesmo elas tendo um certo jeito de ser, não significa que elas são só aquilo que você acha que elas são. Todos tem um motivo por trás do que pode ser observado pelos outros, todos tem uma história. Todo mundo é mais do que aparenta ser. Só estou falando para cada um, também, cuidar apenas da sua própria vida, sem desrespeitar a vida do outro, sem ficar fazendo essas fofoquinhas ridículas. Só estou falando aqui que não aguento mais rótulos, que geram mais tarde crueldades, em tudo!

Filme sugerido para esse assunto: The Breakfast Club (O Clube dos 5) 



sábado, 27 de outubro de 2012

Crianças e jovens não são tolas marionetes.

Seremos subestimados por causa de nossas idades até quando? 



Desde pequena, nunca gostei de ser chamada de "criança", e nesses últimos dias, consegui finalmente descobrir o motivo. Parecia que eu não tinha voz. Quando os adultos se referem à nós como crianças, dá a sensação que estamos sendo subestimados. Dá a sensação que se colocarmos qualquer coisa pra fora da nossas bocas, não vamos ser escutados pelo fato de sermos "novinhos" demais para o mundo. É a sensação de inferioridade que me incomodava. Existe e sempre existirá um julgamento muito forte em cima de crianças e adolescentes de que todos somos alienados e ignorantes ao nosso próprio mundinho. Tudo é explicado por "uma fase" e parece que nunca somos escutados, porque, afinal, para os mais velhos, tudo o que falamos não passa de uma mera confusão que fazemos sobre os fatos. Porque, afinal, não temos nada de importante para ser dito.  Tenho a impressão de que nos acham fúteis marionetes que podem ser facilmente manipuladas por eles. Existe uma generalização do adolescente que eu não suporto mais! A generalização de que todos são iguais que só ligam para coisas fúteis, como ter roupas de grife e iPhones, iPods, iFucks ou sei lá mais o que. Como se não soubéssemos pensar. Como se só ligássemos para festas e "peguetes". Não nego que muitos adolescentes são deste jeito mesmo, artificiais ao extremo, mas existem outros que não são. Outros que são maduros o suficiente para você, adulto, não precisar falar com eles como se fossem uns imbecis. Existem adolescentes que tem valor e ideias muito boas desenvolvidas ou sendo formadas. O conhecimento está entre nós, jovens, constantemente. Estamos formando nossa cabeça ainda, e não é por isso que podemos ser considerados inferiores à vocês. Não é por isso que o que vocês dizem tem mais importância. Nós conseguimos entender as coisas. Nós aprendemos todos os dias! Estamos num processo de aprendizagem e, só porque vocês acham que já completaram esse processo, não significa que merecemos ser ignorados, deixados de lado. Possuímos capacidade de reflexão, crítica, auto-conhecimento e muitas outras coisas que estão se desenvolvendo. 
Muitos pais, como já pude reparar, omitem a verdade para os filhos, mentem e mentem, e depois não escutam nada do que a criança tem a dizer pelo fato de ser muito bobinha ainda. Isso é idiotice. Crianças não são tolas e ingênuas. Crianças são mágicas! Adolescentes não são revoltados, folgados, ignorantes e fúteis. Adolescentes tem e constroem com o tempo a inteligência e voz necessária para opinarem sobre o mundo atual! Parem com essa limitação de uma vez. 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Mundo caótico.

Desabafo... 


Mundo caótico e programado. Vivemos num mundo assim. Tudo é sistematizado. Não enxergo magia. Existem regras e padrões para tudo. Nada mais é de graça. Ninguém mais tem valor, somos todos superficiais. Não temos conteúdo? Temos, até que temos. Mas nos enganamos achando que o nosso conteúdo é algo que vem de fora, quando na verdade vem de dentro. Cade o místico, sobrenatural, divertido, fora do comum? Tudo é tão quadrado, calculado perfeitamente para se encaixar. Quadrado. Reto, não amplo. Pequeno. Estamos todos cegos. Criamos um tipo de sociedade em que eu não quero viver. Dinheiro, empresários, empresas, negócios, regras de namoro, regras de moda, de tudo. Talvez eu tenha sim medo desse mundo. Medo por não me encaixar em nenhum grupo. Eu não quero me igualar. Eu sou diferente e não quero me acomodar. Não quero mudar, não quero ceder a essa pressão, muito menos aos requerimentos da sociedade nos dias atuais. Mundo caótico! Sistemático, prático, rápido, objetivo. Mecanizado, infeliz. Consumidor. Fútil. Artificial! Onde estão as pessoas reais? Todos usamos máscaras. Não quero viver num mundo onde só existam sorrisos falsos, bajulações baratas. Não quero viver neste tipo de ciclo. Quero fugir, para outras dimensões, para outros lugares… Diferentes. Quero respirar. Chega de julgamentos, chega dessa hipocrisia. Hipócritas. São todos hipócritas que, se você analisar bem, realmente possuem alma e coração. Mas estão todos cegos! Deixando-se levar por coisas inúteis, falando como se fossem os reis do mundo. Eu não quero mais viver nesse mundo… Padronizado. Nunca deixará de ser. Há tanto nele há explorar… Tantas coisas, de fato, mágicas. Mas deixa pra lá. As pessoas acham que pensam grande, quando, na verdade, pensam pequeno. Não quero mais viver num mundo onde todos são estressados e mal humorados por causa do trabalho. Não quero viver num mundo onde os trabalhadores ainda são praticamente escravos. Não quero viver num mundo de impressões erradas, num mundo onde todos são cobrados constantemente pela ideia errada de perfeição. Não quero me ceder a esses padrões! Não quero me tornar quadrada. Não, eu sou diferente. Eu sou diferente e criei um próprio mundo imaginário dentro da minha cabeça, onde tudo também é assim como eu. Eu sou mágica, e espero que mais mágicos assim como eu espalhem um pouco de alegria e questionamentos na cabeça dos cegos robôs. Espero não me tornar uma robô. Não quero me igualar a ninguém. Sou original, todos somos. Somos únicos, e não podemos mais ceder a toda essa burocracia hipócrita. 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Rabiscos...

Poéticos?




O tempo é um acontecimento apressado, onde algo que é pra ser, de repente já virou passado. 

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Dentro de quatro paredes
Você se vê encurralado
O tempo passa e você ainda está parado
O que te completa
Vazio que se preenche de dor
Silêncio que grita de modo ensurdecedor.

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Esperança. É tão bom assim?
Ela não te trás apenas mais frustrações e decepções do que o usual?
Do que adianta ter esperança
Se nada nunca muda e nem se concretiza? 
Está tudo tão distante, minhas mãos não alcançam esses presentes gloriosos
E talvez seja assim
Talvez elas nunca alcançarão
Eu já tive paciência, mas a questão é: Até onde esperar?
Essa fé é cega 
Ainda vale a pena tentar?
Será que deveria continuar a acreditar?

-

Emoções que vem e voltam
Dois lados que se revoltam
Minha vida é instável
Cheia de lacunas para serem preenchidas
Sempre com questões incompreendidas.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Vocês escutam ou vêem música?

Afinal, música ainda é algo auditivo, ou se tornou algo apenas visual?



Estou prestes a falar pela segunda vez sobre um assunto relacionado à música... E hoje minha crítica vai para a indústria musical pop de Hollywood.
Creio que todos vocês já escutaram no mínimo uma vez alguma música atual "pop", conhecidas como "Today's Hits", certo? Bom, se sim, prossiga. Se não, prossiga também!
A indústria musical de Hollywood, voltada para o pop, me fez pensar esses dias o quanto a música perdeu sua real essência. Qual é a essência de uma música para vocês? O que ela precisa ter? Para mim, ela precisa passar uma mensagem. Afinal, música é arte, e arte é um modo indireto de você se expressar. Agora, quando ligo o rádio ou assisto clipes atuais na TV, a única coisa que passa pela minha cabeça é o quanto tudo é pelo dinheiro. O que interessa é o lucro para essas grandes gravadoras, que produzem um artista, o tornando um ideal padronizado para o que a mídia quer no momento. Ele passa a ser um produto, e não uma pessoa. O que interessa no momento é o visual. Algum clipe com tecnologia de ponta com um refrão chiclete, uma dança no meio e algum rapper falando sobre coisas fúteis como "Tenho dinheiro e mulheres, sou melhor que você." fazem parte da nossa realidade. Quantas vezes vocês não se surpreenderam ao escutar uma letra extremamente tosca? A letra de uma música perdeu totalmente o sentido nos dias de hoje. Quando chego a analisar de fato alguma letra, só consigo encontrar sexo, sexo e sexo. Afinal, é esse o assunto que vende no mercado, e é por isso que há tantas letras assim! Realmente aprecio os artistas que não caíram no golpe das grandes gravadoras e continuam honestos com seus respectivos trabalhos. A música agora é visual, pois é isso que chama atenção, é isso que dá audiência e, consequentemente, fama e dinheiro. Esses dois fatores parecem ser as únicas coisas que importam, não é mesmo? 
Não discordo que os clipes e a imagem de um artista sejam importantes para que ele conquiste seu sucesso e fama, mas vejam o quanto a indústria musical tornou superficial tudo isso. Músicas não passam de meros produtos, e artistas não passam de símbolos da atualidade que rendem dinheiro. É só o lucro realmente que importa? Só a fama? Os artistas da nossa geração parecem tão... Plastificados. As músicas, por mais que tenham um ritmo bom, são tão artificiais e tratam de questões tão bestas que até fico enjoada. Eu não vou dar exemplo nenhum aqui, pois acho que vocês sabem muito bem do que eu estou falando. Não estou culpando nenhum artista, e sim a influência da indústria musical sobre eles, que só querem lançar algo que venda, sem se importar com mais nada.
É claro que eu estou generalizando, porque ainda existem muitos artistas bons e "reais" nos dias de hoje, mas, mesmo assim, ainda existem muitos super bem produzidos, que só se importam com o sucesso e o dinheiro. Música não é isso. E, novamente, música não é algo visual, mas sim algo primeiramente auditivo... 
Socorro! Que alguém salve esse mundo de uma vez. O importante não é a imagem, e sim o conteúdo, a "arte" real presente em algum produto, seja ele musical ou não. Toda obra de arte tem uma mensagem a passar, seja qual for a ideia do artista ao fazê-la. Indústrias musicais, parem de desviar os conceitos. O que é bom não é aquilo que vende, necessariamente (Sei que isso não vai ser muito compreensível para pessoas como eles entenderem, mas... Fazer o que!). Aproveitem as músicas boas e reais enquanto ainda há tempo! 

Novamente... Vejam essa música que o Comédia MTV fez! Aborda um tema diferente do que eu acabei de falar, mas relativamente parecido de algum modo se você olhar bem...

terça-feira, 25 de setembro de 2012

"Gosto de heavy metal, mas também de pop."

Status social musical (Somos todos gay enrustidos!).




Se você é fã de metal, tenho quase certeza que vai estranhar a frase acima, e vice-versa. Parem e pensem. O que tem de errado com ela, afinal? Venho reparando que nos limitamos demais quanto aos nossos gostos, principalmente os musicais. E acho, - tenho quase certeza, na verdade -, que isso vem de um medo nosso. O medo de sermos julgados pela sociedade ou pelas pessoas que andam conosco que também escutam e são fãs do mesmo gênero que a gente. Porque diabos criamos barreiras quanto aos gostos? "Ah, se ela gosta de Metallica, é claro que não vai gostar de The Wanted." é uma afirmação que a maioria das pessoas fariam, quando, na verdade, o ser humano é eclético. Nós possuímos diversos gostos misturados juntos e não deveríamos achar isso uma coisa errada. Somos como gay enrustidos: Falamos que só escutamos um determinado tipo de música (rock), ou que só vemos determinado tipo de filme (terror/suspense), e acabamos nos sentindo culpados quando acabamos gostando de outra totalmente e diferente música (pop), ou outro tipo de filme (comédia romântica), e assim as coisas vão se aplicando... Sabe aquele tipo de homem que odeia admitir que gosta de assistir novela, só pra não ser zoado pelos amigos? A mesma coisa se aplica aqui. Um "rockeiro" nunca irá afirmar gostar de "Baby", do Justin Bieber por medo da zoação do seu grupo de amigos, porque, segundo eles, isso está totalmente errado. E quem se importa com o que é certo e errado quanto se trata das coisas que nós gostamos? Não estou tentando dizer aqui para vocês sairem na rua e começarem a dançar e cantar LMFAO num flashmob se vocês não gostam da banda, gênero, estilo de vida etc e nem que comecem a escutar Justin Bieber ao invés de Nirvana se você acha ele incrivelmente ruim, afinal, ninguém é obrigado a gostar de nada e muito menos a achar que tal coisa é boa. Entendo que cada um tem um gosto e jeito diferente, e não estou insinuando para que vocês mudem isso. Só estou falando para que aceitem que não é errado o ser humano ter gostos diferentes ao mesmo tempo, e que, se você gosta de coisas de outro gênero musical taxadas como completamente ruins pelas pessoas com quem você anda, não tenha medo de assumir que sim, você gosta, e que sim, você escuta, e daí, p*rra?! Não se limitem tanto assim! Nós criamos barreiras enormes desse jeito, impedindo que coisas novas, boas e diferentes do que estamos acostumados possam chegar até a gente.
Estou dizendo tudo isso porque ando reparando que "gosto musical" está virando (Ou já virou há muito tempo e eu só percebi agora) um status social enorme, onde um rockeiro não pode escutar reggae, um "popeiro" (Sim, inventei esse termo) não pode escutar metal e assim vai... E isso se aplica a tudo na nossa vida, se vocês repararem. Então parem! Não é errado gostar de duas coisas diferentes ao mesmo tempo, é até muito legal, na verdade. Por tanto, não tenha medo de dizer, assuma! Sim, somos todos um bando de gays enrustidos mesmo e precisamos sair do armário musical da vida! 
O.B.S:  Lembrem-se, respeitem o gosto musical dos outros, se não, pedras serão lançadas!

Aqui vai um vídeo musical de humor produzido pelo Comédia MTV pra vocês rirem e pensarem sobre o assunto (Levando em consideração outros pontos também, quem sabe):

Comédia MTV - Metal Fofo

domingo, 23 de setembro de 2012

A imagem.

(E outras questões que me vieram à cabeça...)



A imagem nos confunde. Afasta-nos da nossa alma e da nossa verdadeira essência. Nossa existência não se baseia em nossa aparência física, mas isso acaba contando muito como parte de nosso ser, infelizmente, em nossa visita superficial ao planeta. Vejamos, se você mudasse de corpo, por exemplo, não iria se sentir totalmente desorientado? Até mesmo com uma crise de identidade, questionando-se, afinal, quem é você? O que você é está na sua alma, no seu espírito, mas acabamos nos apoiando em nossa aparência quando pensamos nessa questão.   
         
 Quando me olho no espelho, me perco. Perco-me em mil pensamentos que nunca serão respondidos. Penso na existência humana e no universo. Porque existimos? Como tudo começou? O que há no universo? O que há nas galáxias? Tantas questões são tão inexplicáveis, e acredito que se manterão assim. Existem questões que foram feitas para se permanecerem no total mistério que a natureza pode nos oferecer. Não importa o quanto cientistas pesquisem, algumas coisas, sempre ficarão em branco. Ainda mais para seres que usam apenas 10% de seu cérebro como nós. Tanto nos atordoa, não é? Mas, voltando ao principal assunto, me perco principalmente no pensamento “Quem sou eu?”, pois, não sou a pessoa do espelho. Isso é apenas um corpo. Quem é a verdadeira eu? Quem é a que está aqui dentro? Aquela que está por trás disso tudo? Vejo-me presa numa máscara. Numa máscara que me esconde da minha verdadeira essência e personalidade, uma máscara que simplifica o processo de autoconhecimento inteiro. É tudo tão superficial, até mesmo para aqueles que se julgam tão intelectuais em relação aos outros. O mundo físico acaba sendo superficial de qualquer modo, pois nunca entramos no assunto de um mundo espiritual, um mundo que não enxergamos e que está acima do visual. Existem tantas coisas acima e abaixo de nós - E não, não me refiro ao céu e inferno -, tantas coisas que ainda precisam ser pensadas, mas que nunca serão. Como disse antes, a natureza tem seus mistérios, seus segredos e seus modos de se manter escondida dos seres vivos, pesquisadores, loucos por conhecimento. Por mais que procuremos, menos acharemos. A nossa existência, no planeta terra, se permanecerá superficial. Porém, de algum modo, já está tudo ali. Quando vemos que a forma de um átomo é a mesma do que a do sistema solar, já vemos que tudo está interligado, e que tudo já está aqui, em frente de nós. Um raciocínio tão complexo pode se transformar em num tão mais simples. Quando vemos um mamífero dando a luz e cuidando de sua cria, parece que não há mais nada faltando. Naquele momento, tudo está certo e não há mais nada para ser dito. De qualquer modo, estamos num processo de evolução, principalmente da mente, e cada vez mais, expandiremos nossos conhecimentos sobre a vida e, descobriremos que a vida não é apenas aqui, na terra, mas sim, em vários outros campos que podem ser até mesmo estudados pela física, ou compreendidos como campos espirituais e de energia. Eu acredito que quando morremos, vamos para outra, completamente nova, dimensão.

Retomando ao assunto principal do texto (Reparem o quanto fico louca diante deste turbilhão de pensamentos), quando nos apoiamos apenas em nossos aspectos físicos para nos entendermos e nos compreendermos, perdemos fácil a razão e o “sustento” que temos sobre as coisas. Somos muito mais do que uma imagem. Somos aquilo que ninguém nunca irá descobrir. Somos nossos pensamentos e nossa alma, que engloba tudo. Todas as questões do universo estão interligadas perante as almas. E pensamentos não são transmitidos por nossos olhares, que, muitas vezes, parecem tão ingênuos e tolos, quando na verdade, só aparentam ser! Nosso ser é muito mais do que tudo que já pensamos que ele fosse.  

Estava observando um vídeo meu do ano passado. Estava me julgando pela minha aparência, pelos meus gestos. Momentaneamente, ridículos. Mas logo mais, reparei que ano passado eu possuía a mesma capacidade de raciocínio do que hoje. Tenho a mania de me julgar como burra sempre quando se passam alguns tempos, meses, anos, etc. Perco a minha identidade facilmente. É como se morresse e renascesse várias vezes ao ano. Eu subestimo minha antiga eu de um modo que ninguém jamais subestimou. Logo mais, me subestimarei novamente. O ser humano sempre auto se sabota e se engana, por mais inteligente que seja, por mais razão que possua. Sempre faltará uma peça no quebra-cabeça da vida para que possamos entender tudo isso, porque sempre estamos em procura de mais e mais, quando na verdade, se repararmos, já está tudo escrito na nossa frente. Repetindo, um tema complexo pode ser tão simples e vice-versa. Nunca entenderemos de fato a vida. Existem tantas questões que estamos atrás que se mostram inacabadas, ocultadas e outras que nem sequer foram explicadas. O mundo é infinito, e existem questões que só iremos entender quando em outra fase de espírito nós estivermos. E sim, existem questões que nunca serão, de fato, explicadas. Existem coisas que devem se permanecer num total mistério e desconhecimento, pois, afinal, é isso que nos dá esperança. Esperança é algo ideológico, algo... Mágico? Misterioso? Descrevam-na do jeito que preferirem. E esse mistério, que irei chamar até de magia, dá também a energia que parece englobar toda a vida. Essa energia que faz tudo estar vivo, tudo funcionar. Essa energia que pulsa em nós e que parece estar em todos os objetos, locais e pessoas. E é essa energia que chamo de “Deus” (Como podem ver, minha perspectiva para Deus é muito diferente da maioria). Deus é tudo. Deus é essa coisa, - sensação, quem sabe - inexplicável que engloba todo o universo. Deus não é, na minha cabeça pelo menos, um senhor barbudo que criou tudo e que pode ser um humano como nós. Deus é um estado de ser, Deus é a energia que pulsa no mundo, na vida, na natureza, no universo.