segunda-feira, 11 de março de 2013

Tudo bem em ter preguiça


Diante de muitas regras impostas pela sociedade e padrões delimitados pela mesma para que possamos conviver em conjunto, nos encontramos no puro caos.
Para quem diz que a escravidão acabou totalmente, eu posso te dizer o total contrário. Ainda vivemos sobre o controle de superiores, sejam eles seu chefe ou o estado. Vivemos aprisionados e limitados pela nossa classe social e nos enfiamos nessa tal utópica procura pela felicidade, que, convenhamos, parece nunca aparecer. No meio tempo, estamos encaixados num sistema terrivelmente quadrado que se resulta nessa rotina infernal que desgasta e cobra muito de todos nós. Simplesmente tomamos isso como algo "normal", o que é errado, em minha percepção.
E além disso, há a pressão do padrão do cidadão perfeito que cai diretamente sobre nós. O cidadão perfeito é o cara que nunca sente-se cansado ou indisposto; o que nunca tem preguiça. Há esse irritante exemplo que devemos seguir: O de nunca pararmos. Não podemos descansar, respirar, dormir, ver TV, ficar no computador à toa sem torrar o cérebro por alguns minutos sequer. Seja você estudante ou trabalhador, você se encontra num sistema sufocante diário.

 Precisamos estar sempre em movimento constante, "trabalhando duro", nos matando de estudar, de trabalhar e isso é tudo uma artimanha dos grandes, dos superiores. Você estuda para se tornar um trabalhador, e um trabalhador é aquele que traz mérito e lucro ao país ralando sem parar e, vez ou outra, se tornando o superior de alguém, oprimindo outra pessoa. Vivemos num sistema opressor que nos manipula e atormenta... Estamos condenados a sempre ter um mesmo fim. 
Existem tantos anti-depressivos. Pessoas tomam tanto café. Pessoas sempre tem tantos problemas, vivem estressadas. As pessoas estão explodindo! É uma grande panela de pressão, uma hora tudo vai se tornar tão apressado mas tão apressado que não vai mais gerar em nada tantos nervos morrendo. Todos os produtos que são vendidos apresentam uma velocidade maior para a resolução de algum problema anterior e assim as coisas vão. Um celular que antes mandava uma mensagem no tempo de 10 segundos agora manda a mesma mensagem em 0,1s. Seria isso o paraíso como todos sempre insistem em falar? 
Passar dias em claro estudando para o vestibular, precisar tomar cafeína para conseguir se manter de pé e continuar prestando atenção. Estudar, trabalhar, estudar, trabalhar. Ficar 1h esperando o ônibus chegar, ficar servindo cafézinhos para seu chefe, tomando qualquer tipo de parada que não te deixe piscar. Esse é o nosso normal. Não, descansar não! Ter vontade de não fazer nada é proibido, é sinal de desleixo, significa "ser folgado". Desde quando dar uma pausa em algo é sinal de fraqueza, desistência? Desde quando se permitir faltar um dia no trabalho é "ser vagabundo"? É você que auto se induz nesse sistema louco julgando aos outros "preguiçosos", querendo ser sempre o primeiro, o melhor, acabando com qualquer concorrente. Estamos num mundo competitivo e selvagem, não é mesmo? Não há tempo para mais nada. 
Tem muita coisa errada nesse aglomerado todo. Existe muita coisa que cheira mal e muita coisa que você sabe que te faz mal mas simplesmente deixa passar porque se não vai perder o horário do ônibus. Toda essa pressão mata. 
E, como pude reparar, agora até mesmo o lazer é comercializado. A diversão é um produto, é como se fosse outra pílula para equilibrar seu dia. Se você quer entender o sistema da rotina como eu o entendo, imagine sete gavetas, cada uma representando um dia da semana. Dentro delas, você encontrará inúmeras pílulas, cada uma com uma função. Uma para divertir, outra para sobreviver (comida, bebida), outra para trabalhar, outra para convivência entre família e amigos, o ambiente social. Essas "pílulas" fictícias não são naturais, não são "orgânicas", são artimanhas produzidas pelo homem moderno. Todos temos cordas em nossas cabeças que fazem de nós marionetes ingênuas. Achamos que estamos procurando a felicidade mas apenas estamos a adiando cada vez mais. 
Criamos nossas crianças com o intuito de induzi-las ao mundo, por meio dos brinquedos, dizemos quais são suas funções na sociedade. As meninas se encontram no meio interno, cuidando da casa, dos filhos (bonecas), agora, os meninos, se encontram no meio externo, brincando de carrinhos, por exemplo. As funções já são ditas a partir desse momento. A partir disso, a criança já é introduzida a vida que ela vai levar. Isso não soa extremamente entediante e padronizado para vocês? Isso me enoja. Somos treinados para fins lucrativos. Todas as normas e valores sociais que foram construídos até agora são muitas vezes pura idiotice. 
Resumindo... Está tudo bem em ter preguiça. Você não precisa seguir esse sistema infernal sempre, é OK ter pausas e descansos. E não, não é por isso que você será incompetente ou folgado. Você está absolutamente certo em querer descansar, afinal, você é um ser vivo, e seres vivos precisam recuperar energia.

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